16.10.13

d289

Hoje transcrevo apenas a história do homem que acreditou em dois sonhos, pôs-se a caminho duas vezes, ouviu e relacionou-se com os outros, foi sempre humilde e acabou por ser feliz (retirada d'Aqui).

«Depois de anos e anos de dura miséria que, no entanto, não tinham beliscado a sua confiança em Deus, Eisik teve em sonhos a ordem de ir a Praga buscar um tesouro que estava enterrado debaixo da ponte do palácio real. Como o sonho se repetiu por três vezes, pôs-se a caminho e andou, andou, andou até que chegou a Praga. 
Mas a ponte era vigiada dia e noite pelas sentinelas que guardavam o palácio… E Eisik não teve coragem de escavar no local indicado. Todavia, voltava à ponte todas as manhãs e ficava ali às voltas até ao entardecer. Um dia, o capitão da guarda, que tinha notado as suas idas e voltas, aproximou-se e perguntou-lhe simpaticamente se tinha perdido alguma coisa ou se estava à espera de alguém.
Eisik contou-lhe então o sonho que o tinha trazido da sua longínqua terra até ali. E o capitão desatou a rir: "E tu, pobre homem, por dar crédito a um sonho vieste a pé até aqui? Ah, ah, ah! Estás arrumado se te fias em sonhos! Se fosse assim, eu havia de me ter metido a caminho para obedecer a um sonho e ir até Cracóvia, a casa de um judeu, um tal Eisik, filho de Jekel, à procura de um tesouro que está enterrado debaixo do fogão de sua casa. Eisik, filho de Jekel! Deves estar a brincar! Estou a ver-me a entrar e a vasculhar em todas as casas de uma cidade em que metade dos judeus se chamam Eisik e a outra metade Jekel?!" E riu-se novamente.
Eisik agradeceu, saudou-o, voltou para casa e, na sua casa, escavou debaixo do fogão e desenterrou o tesouro com que construiu a sinagoga chamada "Escola de Reb Eisik, filho de Reb Jekel".
"Recorda-te bem desta história – acrescentava então o Rabi Bunam – e colhe a mensagem que te diz respeito: há uma coisa que não podes encontrar em lado nenhum no mundo e que, no entanto, existe num lugar"».
[Martin Buber]

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