vou de férias!
~ FELIZ NATAL ~
e até 2011...
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"A vida não vem embrulhada com um laço, mas ainda assim é um presente." (Regina Brett)
22.12.10
21.12.10
enquanto esperamos que chegue a hora de nos aquecermos à lareira com a família
este blog faz hoje cinco anos!
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19.12.10
16.12.10
enquanto fazemos contagem decrescente para o natal...
o nosso natal visto por um americano que vive em portugal.
e nós até achamos que gastamos dinheiro demais e que damos demasiada importância aos presentes!
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e nós até achamos que gastamos dinheiro demais e que damos demasiada importância aos presentes!
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15.12.10
enquanto aguardo que chegue o natal
sempre se fizeram grandes apelos à tolerância.
eu cresci a ouvi-los.
mas quando ouvi este ponto de vista, percebi porque é que esta história de sermos tolerantes era contra a minha natureza:
tolerância é o nome politicamente correcto que se dá à indiferença.
ninguém quer ser tolerado, todos queremos ser amados.
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eu cresci a ouvi-los.
mas quando ouvi este ponto de vista, percebi porque é que esta história de sermos tolerantes era contra a minha natureza:
tolerância é o nome politicamente correcto que se dá à indiferença.
ninguém quer ser tolerado, todos queremos ser amados.
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12.12.10
é bastante claro que fui atacada pelo virus do desânimo que ataca em força nos dias cinzentos e frios de inverno.
os meus níveis energéticos baixaram tanto que sou capaz de dormir 10 horas e continuar cansada.
não estou a pensar em tirar férias tão cedo (embora note que já precisava) por isso vou-me consolando a contemplar o arco-íris enquanto espero por dias melhores.
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os meus níveis energéticos baixaram tanto que sou capaz de dormir 10 horas e continuar cansada.
não estou a pensar em tirar férias tão cedo (embora note que já precisava) por isso vou-me consolando a contemplar o arco-íris enquanto espero por dias melhores.
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11.12.10
9.12.10
6.12.10
esperar
já tinha escrito que tinha muitas esperanças para este natal.
uma delas era estar a viver na casa nova.
outra, era ter ido à Índia.
e ainda há mais planos adiados.
mas o melhor vem no final...
estive um dia inteiro a pensar na esperança.
reflecti sobre o que é que espero, o que é que vale a pena esperar e porque é que desespero.
e quem é que gosta de esperar?
às vezes dou-me logo por vencida, outras vezes fico cansada de esperar.
mas ter esperança é ser inconformista e paciente.
o mais importante não é conseguir tudo o que espero já, agora, imediatamente.
o interesse está no caminho, na descoberta do rumo, na afinação das coordenadas a seguir.
e nada do que se viveu é para deitar fora pois de tudo se pode tirar bem.
e é preciso escolher bem o que se espera, pois só vale a pena esperar o que é mesmo bom, necessário e possível.
o resto, mais vale deixar passar.
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uma delas era estar a viver na casa nova.
outra, era ter ido à Índia.
e ainda há mais planos adiados.
mas o melhor vem no final...
estive um dia inteiro a pensar na esperança.
reflecti sobre o que é que espero, o que é que vale a pena esperar e porque é que desespero.
e quem é que gosta de esperar?
às vezes dou-me logo por vencida, outras vezes fico cansada de esperar.
mas ter esperança é ser inconformista e paciente.
o mais importante não é conseguir tudo o que espero já, agora, imediatamente.
o interesse está no caminho, na descoberta do rumo, na afinação das coordenadas a seguir.
e nada do que se viveu é para deitar fora pois de tudo se pode tirar bem.
e é preciso escolher bem o que se espera, pois só vale a pena esperar o que é mesmo bom, necessário e possível.
o resto, mais vale deixar passar.
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3.12.10
2.12.10
mónica
ontem, enquanto passeava os olhos pelo esse jota, descobri este texto extraordinário de sophia de mello breyner andressen.
é uma verdadeira tentação querer ser mónica, a mulher completa, auto-suficiente e aparentemente perfeita.
a tentação é verdadeira (e perigosa) porque aparece sedutoramente com aparência de bem.
mas o texto desmascara explicitamente as lacunas do estilo de vida de mónica.
que sabor pode ter a vida sem poesia, sem amor e sem santidade?
*
RETRATO DE MÓNICA
Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.
Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, «qualquer distracção pode causar a morte do artista». Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos.
Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande.
Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva.
O marido de Mónica é um pobre diabo que Mónica transformou num homem importantíssimo. Deste marido maçador Mónica tem tirado o máximo rendimento. Ela ajuda-o, aconselha-o, governa-o. Quando ele é nomeado administrador de mais alguma coisa, é Mónica que é nomeada. Eles não são o homem e a mulher. Não são o casamento. São, antes, dois sócios trabalhando para o triunfo da mesma firma. O contrato que os une é indissolúvel, pois o divórcio arruína as situações mundanas. O mundo dos negócios é bem-pensante.
É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também. Ela todos os anos parece mais nova. A miséria, a humilhação, a ruína não roçam sequer a fímbria dos seus vestidos. Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.
E por isso Mónica está nas melhores relações com o Príncipe deste Mundo. Ela é sua partidária fiel, cantora das suas virtudes, admiradora de seus silêncios e de seus discursos. Admiradora da sua obra, que está ao serviço dela, admiradora do seu espírito, que ela serve.
Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica.
Há vários meses que não vejo Mónica. Ultimamente contaram-me que em certa festa ela estivera muito tempo conversando com o Príncipe deste Mundo. Falavam os dois com grande intimidade. Nisto não há evidentemente, nenhum mal. Toda a gente sabe que Mónica é seriíssima e toda a gente sabe que o Príncipe deste Mundo é um homem austero e casto.
Não é o desejo do amor que os une. O que os une e justamente uma vontade sem amor.
E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio; mais firme fundamento do seu poder.
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é uma verdadeira tentação querer ser mónica, a mulher completa, auto-suficiente e aparentemente perfeita.
a tentação é verdadeira (e perigosa) porque aparece sedutoramente com aparência de bem.
mas o texto desmascara explicitamente as lacunas do estilo de vida de mónica.
que sabor pode ter a vida sem poesia, sem amor e sem santidade?
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RETRATO DE MÓNICA
Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.
Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, «qualquer distracção pode causar a morte do artista». Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos.
Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande.
Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva.
O marido de Mónica é um pobre diabo que Mónica transformou num homem importantíssimo. Deste marido maçador Mónica tem tirado o máximo rendimento. Ela ajuda-o, aconselha-o, governa-o. Quando ele é nomeado administrador de mais alguma coisa, é Mónica que é nomeada. Eles não são o homem e a mulher. Não são o casamento. São, antes, dois sócios trabalhando para o triunfo da mesma firma. O contrato que os une é indissolúvel, pois o divórcio arruína as situações mundanas. O mundo dos negócios é bem-pensante.
É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também. Ela todos os anos parece mais nova. A miséria, a humilhação, a ruína não roçam sequer a fímbria dos seus vestidos. Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.
E por isso Mónica está nas melhores relações com o Príncipe deste Mundo. Ela é sua partidária fiel, cantora das suas virtudes, admiradora de seus silêncios e de seus discursos. Admiradora da sua obra, que está ao serviço dela, admiradora do seu espírito, que ela serve.
Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica.
Há vários meses que não vejo Mónica. Ultimamente contaram-me que em certa festa ela estivera muito tempo conversando com o Príncipe deste Mundo. Falavam os dois com grande intimidade. Nisto não há evidentemente, nenhum mal. Toda a gente sabe que Mónica é seriíssima e toda a gente sabe que o Príncipe deste Mundo é um homem austero e casto.
Não é o desejo do amor que os une. O que os une e justamente uma vontade sem amor.
E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio; mais firme fundamento do seu poder.
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